Conto o meu. Há uns anos fiquei sozinho na casa da minha avó numa aldeia do interior, e por volta das três da manhã ouvi passos no corredor, certinhos, como se alguém andasse de chinelos. Levantei-me com a lanterna do telemóvel e não havia ninguém. A porta do quarto dela estava aberta, e juro que a ouvi chamar pelo meu nome, baixinho. Ela tinha morrido nesse mesmo quarto dois anos antes. Fiquei o resto da noite acordado na sala com a luz acesa.